Primeiro dia em um fim de semana em São Paulo, a cidade contraste.
Campo Grande, madrugada do dia 1º de março de 2008, vôo Campo Grande – São Paulo, estimado em um hora. Nunca havia voado. Chegamos no aeroporto na hora marcada, ou na verdade, 20 minutos antes às 2:30 mas o vôo atrasa por causa da forte neblina da madrugada que encobre o aeroporto Internacional de Campo Grande. Quando a pista é liberada a euforia começa! Quando vejo o avião, o seu tamanho, as pessoas entrando; quando dou a última pegada no solo de Campo Grande antes da decolagem é algo inexplicável. Entro dentro do avião e lembro logo de um ônibus, bem bonito e sofisticado, claro. Mas lógico que, nada a ver com um. Sentei na janela, olhei para o lado e vejo a asa com as leves gotículas de umidade que encobrem o vidro. A aeromoça dá as instruções para fazer um pouso seguro, colocar cinto de segurança, etc. O piloto aciona a turbina, no “lento” e andamos por toda a pista do aeroporto até chegar ao final para ele fazer uma manobra e voltar pela mesma pista. Quando faz o retorno as turbinas são ligadas e uma velocidade incrível toma conta do avião; e eu olhando para a janela, vendo tudo esplendorosamente e humildemente. Vejo que as gotículas de água somem da janela, vejo a asa, ou melhor, os lemes da asa se movendo e já sinto que deixo de estar em terra firme. Fico feliz igual a criança com brinquedo novo. O avião fica de em diagonal, como quem está subindo cada vez mais e faz uma leve curva… pouco à pouco vou vendo as pequenas casas da Cidade Morena se transformarem em luzes. No horizonte já vejo que o dia está logo alí, olho para a cidade que eu deixo e vejo o quão linda ela é. Planejada, pequena e luminosa. O avião se distancia cada vez mais rápido e eu já consigo ver os rais de sol no horizonte, que aliás, dalí em diante me acompanharão pelo resto da viagem. Em vinte minutos de viagem eu avisto o Rio Paraná, que divide os estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo. Em uma viagem de carro isso levaria de 4 a 5 horas. Fico impressionado, pois de longe avisto a represa, que mais parece um fio que se passa no meio do Rio, tamanha a distância do solo em que me encontro. E dentro do avião eu vibro a cada balançada que a asa dá, a cada balançada que o avião dá. Dalí para frente eu já começo a ver as nuvens, avisto uma cidade entre elas e não faço a mínima idéia de qual tenha sido a mesma; também percebo que as nuvens já estão longe de mim. Tenho impressão de que há um outro mundo acima de nós, quando estamos em terra, o céu. Não o Céu Celestial, mas o céu ‘formado de nuvens’. Acima de mim está o azul reinante e abaixo há as nuvens. Uma imensidão, um mar delas que cobre praticamente a paisagem inteira do estado de São Paulo. Vejo um arco-íris entre elas, apesar de ser breve, foi bonito. Com um aviso da aeromoça ela diz que servirão o lanche, que você pode escolher entre doce ou salgado (bolachinha de sal) e refrigerante ou sucos. Após saborear o delicioso “lanche” eu ainda estou lá, babando na verdade pela paisagem escultural que as nuvens fazem juntas com os ventos que às moldam. Com mais 20 minutos de viagem o piloto avisa que estamos chegando em São Paulo. Com 15 minutos eles deseja à todos um bom fim de semana e diz que o tempo em São Paulo está bom e com poucas nuvens. Quando chegamos em cima da cidade contraste (como apelidei) eu não acredito, é simplesmente inacreditável que existe algo daquele tamanho para um cara do Mato Grosso do Sul que nunca voou ou foi para São Paulo. Parece que estou o programa Google Earth, só que com mais perfeição (ou não). Olho no horizonte, voando, e não consigo enxergar o fim daquela cidade. É simplesmente uma verdadeira metrópole, onde milhões e milhões de pessoas vivem, se aglomeram, literalmente.
Quando o avião chega realmente sobre São Paulo, Capital é algo incrível. Pouco a pouco ele vai abaixando o nível e faz uma grande curva, onde iremos encontrar o Aeroporto Internacional de Congonhas. Sobre prédios, literalmente, eu vejo que estamos muito perto do chão, quando de repente o avião toca a pista e corre em uma velocidade incrível, quando eu logo penso: “poxa, a pista (parece que) vai acabar“. Logo, me surpreendo com uma brusca freada dos reversos do avião e fico feliz, quando vejo todas as pessoas do avião com medo e acordando assustadas com o baque dos freios da turbina. Enquanto todos estavam com medo eu estava feliz e parecia uma criança, e logo fiz “uhuuu…”, como quem grita de alegria. O avião faz um leve contorno e encaixa-se na saída para o saguão do aeroporto. A primeira impressão, dentro ainda do avião, que eu tenho de São Paulo é a mesma que eu vejo na TV, impressionantemente prédios para todo lado. Saímos (Eu, minha namorada, meu sogro e sogra) e fomos pegar as malas, e naquele momento eu mal acreditava que estava em São Paulo, a cidade contraste.
O irmão da minha namorada chega logo ao aeroporto, saio lá fora do saguão e o ar já não é o mesmo puro de Campo Grande, já não vejo tanto verde onde percebo que estou em uma cidade onde as árvores parecem terem sido trocadas por prédios. Logo que saímos do aeroporto o irmão da Priscila me avisa “Aqui, onde não tem nada é que ocorreu aquele acidente da TAM“. Eu fico simplesmente impressionado e na hora me veio na memória aquele acidente horrível, talvez não foi tão atoa que as pessoas assustaram com a freada do avião, eu percebo. Pegamos uma avenida, uma das milhares, na qual não me recordo o nome e estamos indo para a casa da Amanda, namorada do Guilherme (irmão da minha namorada, Priscila). Entramos por ruas estreitas e São Paulo me soa como uma cidade do interior em certos aspectos: casas pequenas, algumas com murinhos antigos com carros de valor na garagem (isso na verdade me soa estranho)
. Vou observando a paisagem até chegarmos na casa da Amando. Ela mora em um apartamento, de três andares e o dela é o 3º andar. Quando chego lá em cima, abro a janela, olho para o lado esquerdo e vejo prédios durante todo o horizonte, olho para a direito e vejo a mesma coisa, olho para frente e não é diferente. Deito um pouco e acabo pegando no sono de um prolongado dia de quase 24 horas sem dormir. Acordo e logo todos nós vamos almoçar à uma quadra dalí, numa movimentada avenida da Capital Paulista. Almoçamos e voltamos para casa. Enquanto batemos papo e jogamos conversa fora, a minha sogra, Neusa compra por telefone os ingressos do espetáculo Miss-Saigon. Logo após começamos a nos arrumar e estamos em 8 pessoas e apenas um carro, ou seja, alguém terá que ir de metrô e eu logo me habilito, junto com a Sandrinha (sobrinha dos meu sogros) e o Gabriel (colega de ap. da Amanda). Uma quadra e meia após o Ap. da Amanda têm uma estação. Desço as escadas e um vento fortíssimo me bate ao adentrar o subterrâneo. E lá se vão nós três… entro no vagão e fico em pé. Sinto certa força quando o metrô começa a pegar velocidade. Pouco tempo depois descemos em outra estação e pegamos outro metrô até chegar na famosa Avenida Paulista (onde eu até tirei foto – uhuuu!). Pegamos um taxi e logo chegamos ao Teatro Abril. Assistimos ao belíssimo e encantador espetáculo (como vocês podem ler a história clicando no link).
Saímos de lá e fomos à um restaurante Australiano e após 1:30 de espera conseguimos pegar uma mesa. O pessoal pediu e fui aceitando: cebola “à milanesa” (não gostei), depois veio o frango (com bastante pimenta) e aí sim, veio uma costela de porco de sabor nunca sentido por mim, mas foi o melhor prato. Voltamos para casa e todos vão dormir porque amanhã tem mais.